Dados do Banco Central de 2017 mostram que a inadimplência representa 55,7% do spread

O presidente da Federação Brasileira de Bancos, Murilo Portugal, afirmou nesta terça-feira, 24, que 77% do spread bancário se deve aos custos da intermediação financeira. Em apresentação à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, ele citou dados do Banco Central de 2017, que mostram que a inadimplência representa 55,7% do spread (a diferença entre o custo de captação e o que é efetivamente cobrado do cliente final).

Portugal afirmou ainda que o custo da inadimplência no Brasil é quatro vezes maior que o de outros países e que as instituições precisam fazer provisões para processos trabalhistas 24 vezes maiores. O presidente da Febraban defendeu ainda que os spreads estão caindo com Selic (a taxa básica de juros da economia). "Mas a Selic não é o único componente dos juros", ponderou.

De acordo com Portugal, não há proporcionalidade na queda do spread em relação à Selic, justamente porque a taxa básica não é o único componente considerado no custo. "Temos a oportunidade para aproveitar o ciclo de queda da Selic para fazer os juros baixarem como gostaríamos", afirmou. "O cadastro positivo está agora em discussão na Câmara e nossa esperança é que isso seja aprovado rapidamente", acrescentou. Para ele, os principais problemas da área vão ser resolvidos apenas com inovações institucionais.

Competição

O presidente da Febraban afirmou que "tanto a Febraban quanto o setor bancário são 100% favoráveis ao aumento da competição". "Apoiaremos toda medida não discriminatória para apoiar a competição" acrescentou, durante apresentação na CAE do Senado.

Segundo ele, a alegação de que o setor bancário no Brasil é concentrado é apenas uma "meia verdade". Isso porque, de acordo com Portugal, o setor bancário é um setor intensivo e, em todo o mundo, setores assim são concentrados. Outro ponto citado por Portugal é que "parte da concentração no Brasil ocorre em função dos bancos públicos", que concentram mais de 50% do mercado.

Em sua apresentação, Portugal apresentou um levantamento sobre o Índice Herfindahl-Hirschman (IHH), que costuma ser usado como referência para medir a concentração bancária nos países. O presidente da Febraban lembrou que o IHH do Brasil está em 1.413, o que coloca os bancos do País na 15ª no ranking de concentração por setores. O setor de Petróleo e Gás é o mais concentrado.

Portugal defendeu ainda que a competição no setor deve ocorrer sem o favorecimento de alguns players em detrimento de outros. Ele citou, por exemplo, a arbitragem regulatória, que quando adotada coloca dois grupos operando no mesmo mercado, mas submetidos a dois conjuntos diferentes de regras.

Fonte: Zero Hora