Lei Seca reduziu as vendas do setor e agora empresários discutem opções de transporte

Os executivos da indústria de bebidas e os donos de bares adicionaram a mobilidade urbana à pauta de reivindicações este ano. O setor fechou o primeiro semestre com queda de vendas, reflexo da economia desaquecida e do rigor maior da nova Lei Seca, em vigor desde dezembro de 2012. Os empresários estão discutindo com o poder público soluções para oferecer transporte coletivo e táxi mais barato para trazer de volta aos bares o consumidor que parou de sair para beber.

Vila Madalena, em São Paulo, deve receber projetos-piloto de transporte em agosto - Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão
Vila Madalena, em São Paulo, deve receber projetos-piloto de transporte em agosto

 

 

 

 

 

 

 

 

Desde março, os empresários do setor se reúnem com taxistas e representantes da Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos (Metrô, CPTM, EMTU) no Comitê Paulista de Ações para a Segurança Viária. Um grupo de trabalho foi criado pelo Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) para estudar mobilidade urbana. O Detran disse que o objetivo do comitê é "estudar medidas para ampliar e estimular o transporte público noturno alternativo ao veículo particular para cidadãos que tenham consumido álcool".

Uma das medidas em estudo é a oferta de ônibus no trajeto das cinco linhas do metrô durante a madrugada, conhecidos como "corujão". A ideia é abastecer a rota com linhas de ônibus menores e vans para levar os passageiros das estações de metrô até a região dos bares. A possibilidade de manter o metrô aberto 24 horas foi descartada.

O Detran confirma que a proposta está na mesa, mas diz que ela ainda está em fase de "discussão técnica". O Estado apurou que o grupo trabalha com a meta de lançar um projeto-piloto em agosto para atender os bares da Vila Madalena, em São Paulo.

Posteriormente, a solução seria estendida às demais regiões da cidade.

O grupo também discute soluções para reduzir a tarifa do táxi na noite paulistana, o que foi confirmado pelo Detran. A ideia é oferecer o serviço de madrugada ao preço de bandeira 1, que é 30% menor do que a bandeira 2, tarifa que entra em vigor às 20h. O grupo tem dificuldade de tirar o projeto do papel pois ainda não encontrou uma fórmula de equacioná-lo financeiramente, disseram fontes que participam das discussões.

Os bares e as fabricantes de bebidas sugerem que a prefeitura cadastre taxistas interessados em oferecer o serviço por preço reduzido. A vantagem é ganhar mais clientes. A proposta, porém, é praticamente idêntica ao projeto Táxi Amigão, lançado em 2009, que fracassou por não ter adesão dos taxistas.

Subsídio. Outra possibilidade é que a indústria de bebidas e os bares ofereçam subsídio ao cliente que usa táxi. A proposta é usar a ajuda dos aplicativos para chamar táxi no smartphone para comprovar que o cliente chegou de táxi e oferecer desconto na conta do bar, disse diretor do 99Taxis, Paulo Veras, que tem 8 mil taxistas associados em São Paulo e participa do grupo.

Um projeto-piloto financiado por três associações que representam cervejarias, fabricantes de bebidas e donos de bares está previsto para entrar em funcionamento no próximo mês, também na Vila Madalena, diz o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Joaquim Saraiva.

A meta é financiar as corridas de táxi de cerca de 3 mil pessoas em um mês com média de R$ 5 por cliente - os recursos viriam da Abrasel, da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) e da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil). "É um projeto-piloto, mas as empresas não têm condições de financiar o táxi para a cidade inteira", disse Saraiva.

O diretor-geral da CervBrasil, Paulo Petroni, confirma que discute soluções para "equacionar a questão de beber e dirigir na noite paulistana", mas diz que "nenhuma decisão foi tomada". Mesmo tendo sua venda reduzida pela Lei Seca, a indústria de bebidas vem adotando discurso uníssono de apoiar a nova regulamentação e patrocinar ações para o "consumo moderado".

A Ambev e a Diageo, dona de marcas como Smirnoff e Johnnie Walker, foram procuradas para patrocinar iniciativas de subsidiar o uso de táxi, apurou o Estado. A AmBev não quis comentar a questão. A Diageo disse que está atuando com a Abrabe e outras associações de classe "em ações para incentivar alternativas de transporte público noturno".

Fonte: O Estadão -