Frequentadores da noite mudam de hábitos, voltando antes para casa

Dificuldade para encontrar mão de obra, falta de segurança, legislação mais severa e necessidade de reduzir custos estão fazendo bares e restaurantes de Belo Horizonte, conhecida em todo o país como a “capital dos botecos” a encerrarem seus serviços cada vez mais cedo, segundo representantes do setor.

O diretor executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG), Lucas Pêgo, estima que menos de 15 restaurantes na cidade funcionem 24 horas por dia, em um total de 18.600 estabelecimentos do setor de alimentação fora do lar, que inclui bares, restaurantes, lanchonetes e boates.

Ele confirma que muitos bares e restaurantes estão preferindo fechar mais cedo e que os motivos são vários, como a redução de custos. “Os alimentos sempre estão entre os produtos que lideram os índices de inflação. Além disso, há os custos com aluguel e mão de obra. E apesar de tudo isso, os empresários não conseguem cobrar mais caro do cliente. Tanto que, nos últimos cinco anos, o setor, em geral, reduziu em 50% sua margem de lucro. A saída é ganhar produtividade ou passar a reduzir o horário de atendimento”, diz.

Pêgo explica que, durante o período noturno, o trabalhadores do setor contam com um adicional noturno de 40%, que está previsto na convenção coletiva da categoria, acima do percentual estabelecido pela CLT, que é de 20% sobre a hora diurna.

Apesar dos custos, ele ressalta que conseguir trabalhadores para o setor não é uma tarefa fácil. “Para o turno noturno é ainda mais complicado, pois envolve dificuldade de deslocamento e a insegurança nas cidades. Assim, a rotatividade é alta”.

O diretor da Abrasel-MG diz que os empresários do setor estão sendo desestimulados por várias leis em Belo Horizonte, entre elas, a Lei do Silêncio, considerada rígida, e o Código de Posturas.

O presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte e Região Metropolitana (Sindhorb), Paulo César Pedrosa, aponta que a falta de segurança na cidade e a necessidade de reduzir custos são alguns dos fatores que estão levando os estabelecimentos a reduzir os horários de funcionamento. “Em muitos casos, não vale a pena funcionar de madrugada, em especial, durante a semana. No muito, sexta-feira e sábado”, diz.

Ainda boêmia. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas pelo setor na capital, o diretor da Abrasel-MG afirma que Belo Horizonte não está se tornando uma cidade menos boêmia. “O que está acontecendo é uma mudança na característica do consumo. O investimento, agora, tem como foco o happy hour”, observa.

Fonte: O Tempo