O Governador Rui Costa acaba de anunciar que pretende construir um novo Centro de Convenções, mudando agora sua localização para Itapagipe. O CBTUR - Conselho Baiano de Turismo, entidade que agrega 19 órgãos representativos do turismo no estado, vem se manifestar contrariamente a esta iniciativa que carece de qualquer fundamentação técnica e salientar os seguintes aspectos:


1. A localização de um Centro de Convenções não pode ser fruto da vontade política de um governante e sim, resultado de estudos técnicos que levem em conta aspectos urbanos, da dinâmica turística e logística da cidade;


2. Salvador possui hoje a terceira maior rede de hospedagem do país, investimentos realizados ao longo das últimas décadas, levando em conta os parâmetros urbanos definidos e contando inclusive com financiamentos públicos pois acredita-se na vocação turística da capital do estado;


3. As principais redes hoteleiras internacionais que atuam no Brasil estão também presentes em Salvador (Accor, Sheraton, Pestana Lodge, ...), bem como as redes nacionais (Intercity, Deville,...), garantindo competitividade e qualidade na oferta, em um mercado cada vez mais aberto e competitivo;


4. Essa rede se compõe de cerca de 500 meios de hospedagem, com capacidade de hospedar cerca de 70 mil pessoas, e que se distribuem entre a Barra a Stella Maris, com grande predominância de hotéis localizados na orla atlântica;


5. É possível identificar pelo menos quatro polos em torno dos quais se agrupa a quase totalidade da hotelaria soteropolitana:


a. Barra – Rio Vermelho – que reúne cerca de 40% dos meios de hospedagem (MH);

b. Centro – Pelourinho – com 15% dos MH;

c. Stiep – Pituba – com 20% dos MH;

d. Itapuã – Stella Maris (incluindo a região perto do Aeroporto) – com 25% dos MH.


6. A localização do atual Centro de Convenções é ideal pois está no meio da cidade, há 20 km do aeroporto, em frente à orla, no meio da zona hoteleira, em localização segura e de fácil acesso e deslocamento para qualquer ponto da cidade. Os grandes eventos e congressos do passado garantiam ocupação e opções de hospedagem para congressistas, da Barra à Stella Maris;


7. Este único Centro de Convenções de grande porte, foi absurdamente deixado sem a devida manutenção durante anos, o que acabou por afugentar o turismo de eventos e congressos da capital, de fundamental importância para combater a sazonalidade do turismo. Após muitas discussões e questionamentos, finalmente, em 2016 iniciou-se uma reforma que se arrasta, com poucos recursos alocados até o momento (R$ 15 milhões, incompatível com o porte e a importância do equipamento) e sem garantia de prazo de conclusão. Nestas condições, compromete-se o trabalho de captação de grandes eventos e congressos, que é feito com anos de antecedência e muito planejamento;


8. Em função deste e outros fatores, a atividade turística de Salvador vive a pior crise de sua história. Entre janeiro e maio de 2016 caiu em 19,9% o número de passageiros no aeroporto de Salvador, se comparado com mesmo período do ano anterior. Considerando-se a rede Infraero no país, observa-se que essa queda foi de apenas 8,6% demonstrando que a crise em Salvador é muito mais profunda que no resto do país;


9. Segundo o IBGE (última Pesquisa Mensal de Serviços) em abril de 2016 a Bahia decresceu em 11% seu volume de atividades turísticas, tendo perdido parte das atividades para outras capitais nordestinas a exemplo de Pernambuco cujo volume de atividades turísticas cresceu 4,5% no mesmo período.


10. A Hotelaria soteropolitana vive a pior crise de sua história, com a pior taxa de ocupação em junho (38,04%), demissões em massa de funcionários e o fechamento de 15 hotéis, sendo pelo menos 3 de grande porte. A grande maioria dos estabelecimentos está suportando prejuízos operacionais desde março e estima-se que outros estabelecimentos venham a encerrar suas atividades. Muitos proprietários de unidades hoteleiras que funcionam na modalidade “condohotéis” vem cobrindo prejuízos com suas poupanças privadas;


11. Em meio a esta crise, o Governador insiste na falsa dicotomia de opor o desenvolvimento do turismo na baía de Todos os Santos, com o da borda atlântica. Não compreende que a grande riqueza de Salvador é justamente a de possuir uma longa faixa de orla atlântica junto com uma das maiores baías do mundo, aspectos que se complementam e não se opõem;


12. Ao invés do anúncio de novas destinações para um novo centro de convenções, desprovido de qualquer parecer ou estudo técnico, faz-se necessário garantir a celeridade nas ações e os recursos fundamentais para completar a reforma do atual Centro, de importância fundamental para a retomada do turismo na cidade;


13. Acredita-se que uma vez concluída a reforma do atual Centro de Convenções e retomada a possibilidade de atração de feiras e congressos para Salvador, poderemos reiniciar a discussão sobre a pertinência da construção de um novo centro de convenções, cuja localização deverá ser fruto de estudos técnicos que deverão levar em conta aspectos de logística, infra-estrutura urbana e de transportes, arquitetônicos, plano diretor da cidade, rede hoteleira, segurança, impactos positivos e negativos da grande aglomeração que os congressos provocam no destino escolhido, dentre outros.

 


Luiz Augusto Leão

Presidente do CBTUR