Entenda quais são os prós e contras dessa tendência que ganha cada vez mais força nos bares e restaurantes brasileiros

Pode parecer loucura, mas existem bares e restaurantes que estão aumentando sua rentabilidade devolvendo parte do dinheiro de cada venda ao consumidor final. Calma, dá para explicar. É o chamado cashback (em português, dinheiro de volta), estratégia que vem ganhando força no mercado brasileiro. Para o empresário, representa um investimento que poderá aumentar as chances de o cliente realizar outras compras, além de facilitar o aumento do tíquete médio. Para o consumidor, há vantagens na aquisição de um produto/serviço que ele provavelmente consumiria de qualquer maneira.

O cashback difere em apenas um ponto dos tradicionais programas de fidelidade. Como o próprio nome sugere, parte do dinheiro é devolvido ao cliente após a compra. Funciona da seguinte maneira: o usuário se inscreve na ferramenta, disponível para web e smartphone. Lá, há uma lista de estabelecimentos participantes que o consumidor ao finalizar a compra, recebe um percentual deste mesmo valor em troca. A cifra pode ser depositada na conta bancária do cliente ou trocada por outros serviços em diferentes lojas que também são parceiras das empresas que oferecem o cashback.

Desse modo, todos os elos da cadeia são favorecidos. Uma das vantagens é a flexibilidade oferecida ao cliente para que ele não precise acumular um determinado número de pontos e depois ir em busca de promoções para resgatar uma passagem aérea ou trocar por outros produtos.
“A ideia já é bem consolidada no mundo online, e agora está quebrando essa barreira. É uma estratégia de marketing de performance baseada no tradicional modelo de ganha-ganha” diz Lucas Marques, diretor de operações da Méliuz, empresa mineira que é destaque nacional neste segmento.

De acordo com ele, o principal desafio é mostrar os benefícios aos donos de bares e restaurantes, segundo ele acostumados a métodos mais analógicos de marketing. “É preciso apresentar este conceito, mostrar que não é desconto, mas sim dinheiro de volta. Por isso, é possível investir em ações que estimulam a venda sem depreciar o produto. No cashback, as marcas pagam uma porcentagem por cada venda realizada por meio do Méliuz, que devolve parte do valor ao consumidor”, diz.

Segundo a Méliuz, estabelecimentos físicos – como restaurantes, bares e supermercados – que oferecem cashback apresentam aumento de pelo menos 21% nas vendas. As taxas são variáveis, mas giram em torno de 3%. Nos estabelecimentos parceiros, o consumidor precisa pedir para pagar suas compras usando a máquina de cartão das empresas de cashback. O equipamento opera normalmente para crédito e débito.

Já para Daniel Gava, sócio da Beblue, aplicativo de abrangência nacional que também oferece o cashback, a ferramenta é vantajosa tanto para os clientes, que vão economizar a cada compra, quanto para os lojistas, que vão ganhar em frequência dos consumidores e aumento do faturamento. "O cashback impacta na decisão de consumo do usuário, pois ele vai preferir ir ao estabelecimento onde pode economizar. Além disso, esse cliente passa a ter um tíquete médio maior a fim de ganhar uma porcentagem maior de cashback, E se o estabelecimento tem um ganho em frequência e em tíquete médio, ele vai ter aumento de faturamento", resume.

No Beblue, a contratação do serviço ainda dá direito aos empresários a um sistema de gestão para controle do comportamento dos clientes, como número de cliques, taxas de conversão, perfil demográfico, lojas mais acessadas e mapa geográfico, entre outras informações. Um dos impactos desses serviços nas relações de comércio é a possibilidade de fornecer informações para os empresários que permitam a criação de campanhas publicitárias e promoções cada vez mais personalizadas. São estratégias que ajudam os empresários a serem assertivos no marketing. Em relação à forma de recompensa, se difere um pouco da empresa mineira, pois o valor devolvido fica em uma conta criada para o usuário e só pode ser usado para compras em estabelecimentos credenciados.