Como o fornecimento de alimentos está restrito, os preços têm aumentado e determinados mantimentos já não se encontram mais à venda

A greve de caminhoneiros impacta nos bares e restaurantes em algumas cidades brasileiras. No Ceasa do Distrito Federal, as entregas de mercadorias provenientes de outros estados, foram prejudicadas pela paralisação com a redução em 60% da frota de caminhões e carretas. A greve refletiu diretamente no preço da Batata Lisa (saco com 50 kg) que passou de R$100 para R$160 e do Tomate (caixa com 20 kg) de R$50 para R$130. "Caso o movimento de bloqueio das estradas continue, é possível que os preços praticados sigam em alta. Além disso, o aumento do tempo no transporte pode aumentar as perdas desses produtos, que são perecíveis", alertou o Ceasa, em nota.

De acordo com a Abrasel, os efeitos do aumento constante no preço do diesel são significativos para o setor, mas ao mesmo tempo, o recurso da greve trouxe e tem potencial para trazer ainda mais prejuízos para o conjunto da sociedade, uma vez que provoca desabastecimento de itens essenciais e causa prejuízos irrecuperáveis a praticamente todo o setor de comércios e serviços, incluindo aí o setor de alimentação fora do lar.

Madero diz que restaurantes podem fechar a partir de sábado

A paralisação dos caminheiros autônomos pode afetar o funcionamento do restaurante Madero. A afirmação é do presidente da rede, Júnior Durski. “Ainda estamos vivos. Estamos fazendo o reposicionamento de produtos dentro da mesma cidade e garantindo a abertura das lojas, mas a partir de sábado não teremos mais estoque”, diz o executivo.

A rede tem 131 lojas em 17 estados, 5.200 funcionários e fatura entre 3 milhões de reais e 4 milhões de reais por dia. “Vão faltar produtos, principalmente para os sanduíches, que representam 70% das nossas vendas.” O desabastecimento é reflexo do protesto dos caminhoneiros iniciado na segunda-feira contra a redução no preço do óleo diesel. 

McDonald's e Burger King afetados

McDonald’s pode ser afetado pelo desabastecimento de produtos causado pela greve dos caminhoneiros. Segundo a empresa, é “provável” que faltem produtos do cardápio em alguns restaurantes da rede.

No Burger King, a situação é semelhante. O fast food afirmou que a venda de seus produtos poderá ser suspensa temporariamente até que a situação se normalize. “O protesto dos caminhoneiros em todo Brasil tem impactado o abastecimento de insumos em inúmeras redes de alimentação”, disse em nota. “Estamos acompanhando a situação de perto e fazendo o possível para manter a operação normalizada”, afirmou o McDonald’s em comunicado. Nas redes sociais, usuários relatam a falta de ingredientes em unidades do McDonald’s de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Segundo o McDonald’s, a paralisação está provocando um desabastecimento no comércio em geral, incluindo todo o setor de alimentação.


Restaurantes de Curitiba entram em alerta

O Madero não é o único restaurante a sofrer o impacto da greve. Rafael Justo Rebelato, 37, dono da Hamburgueria Água Verde em Curitiba, teve que tirar os peixes do cardápio. “Temos três fornecedores de peixe do Paraná e Santa Catarina e nenhum deu indicativo de entrega para os próximos dias. Tive que mudar o cardápio. Tirei os peixes e parte da carne de gado. Também tive que mudar o cardápio de frutas e verduras. Essa é a realidade de momento”, afirma.

Além disso, segundo ele, também pode faltar chope e cerveja na capital. Ele conta que pediu seis barris das bebidas para a Ambev, mas a empresa afirmou que não tem como entregar. “Tenho chope até segunda-feira, ou antes, se o movimento aumentar durante o final de semana”, afirmou. O restaurante serve buffet para almoço e lanches à noite e também pode ter alterações no preço. “Encontramos o quilo da cebola roxa, usada nos hambúrgueres, a R$ 18. O preço normal é R$ 5”.

A mesma preocupação tem Ana Lúcia Ribeiro, 35, gerente do Curitibana. Ela tem reserva até o final de semana e não consegue repor as mercadorias. “Conseguimos fazer os pedidos, mas os fornecedores dizem que não têm previsão de entrega. Todos são do Paraná, mas as estradas bloqueadas interromperam esse fluxo”, afirma. Segundo ela, o preço do gás aumentou na última semana e os novos alimentos devem vir com aumento. “O preço será repassado ao consumidor final, não tem como”, aponta.

Sérgio Luiz Chueh, 42, proprietário do tradicional Restaurante Imperial, no Centro, se programou com antecedência. “Os fornecedores tinham antecipado essa situação e nós optamos por comprar grandes quantidades e deixar no estoque dos próprios fornecedores. Mas estou com problema no peixe. Se continuar, vou ter que tirar do cardápio”, avisa. Segundo ele, o movimento do comércio da região central caiu muito nos últimos dois meses. O restaurante vai reformular o cardápio para ter pratos mais modestos.

Também há preocupação em restaurantes menores. O Churrasco Iguaçu, que serve pratos feitos e marmitas com carne, diz que já teve problema com um fornecedor de carne e o estoque só dura mais alguns dias. “O Ceasa está com muitos problemas. Com as hortaliças e verduras não sabemos o que fazer nem até amanhã”, afirma o proprietário, que não quis se identificar.

Já o Spich, que conta com 42 restaurantes em Curitiba e Região Metropolitana e serve almoço a apenas R$ 4,99, afirma que tem estoque para duas semanas, mas que há grande preocupação em relação a uma eventual paralisação dos ônibus. “Sem transporte público não tem como os funcionários vir ao trabalho, aí não tem como fazer comida”, afirma o gerente de uma das franquias do Centro. A rede não tem intenção de aumentar o preço em virtude dos sucessivos aumentos no transporte.

*Com informações de VejaDestak Jornal