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O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, criticou a forma como o debate sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho tem sido conduzido no país. Em entrevista, ele afirmou que o tema ganhou impulso eleitoral e repercussão nas redes sociais, mas segue sendo discutido sem transparência sobre os impactos econômicos.

Segundo Solmucci, as propostas em análise no Congresso — que reduzem a jornada semanal de 44h para 36h sem redução salarial — podem elevar os custos das empresas em cerca de 20%, pressionando preços para o consumidor. Ele questiona se a sociedade está ciente do impacto e disposta a pagar mais por produtos e serviços.

Ele alerta ainda para o risco de agravamento das desigualdades regionais, já que empresas de regiões mais ricas teriam maior capacidade de disputar mão de obra adicional, enquanto pequenos negócios e áreas mais pobres poderiam enfrentar piora no atendimento ou até fechamento de lojas.

Solmucci ressalta que não é contrário a mudanças trabalhistas, mas defende que elas ocorram com debate amplo, cautela e transição, evitando efeitos abruptos. Para ele, o caminho mais sustentável para a modernização das relações de trabalho está no trabalho intermitente, que ganhou segurança jurídica após decisão do STF e vem sendo ampliado por grandes redes.

O presidente da Abrasel também critica a postura dos diferentes atores do debate:

Governo, que ele considera “oportunista” ao acelerar a pauta em ano eleitoral;
Congresso, que estaria “refém do humor das redes”;
Empresariado, que ele vê como “omisso” por evitar participar do diálogo público.

Solmucci afirma que sua prioridade é garantir que o cidadão tenha informação completa antes de apoiar mudanças que podem trazer impactos significativos ao mercado de trabalho, aos preços e aos serviços essenciais.

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